Brasil sobe no ranking de ransomware em setembro e aumenta a pressão sobre as empresas
O Brasil registrou 31 vítimas de ransomware em setembro de 2026, segundo dados reunidos pela plataforma Ransomware.live. Em agosto, o indicador havia apontado 27 casos. A diferença representa um aumento de 14,8% em um mês e levou o país da sexta para a terceira posição no ranking mensal, divulgado em 9 de outubro.
O avanço nacional ocorreu em sentido oposto ao movimento global. No mesmo período, o total de vítimas listadas no levantamento caiu de 1.212 para 881 – uma redução aproximada de 27,3%. A discrepância chama atenção para a atividade de grupos de extorsão digital contra organizações brasileiras, mas precisa ser interpretada com cautela.
Os números não equivalem ao total de ataques ocorridos no país. Plataformas de monitoramento como essa acompanham principalmente reivindicações públicas feitas por criminosos e divulgações relacionadas a incidentes. Há invasões que não chegam a ser anunciadas, enquanto algumas alegações podem estar incorretas, duplicadas ou sem confirmação da organização apontada. Portanto, os 31 registros representam ocorrências observáveis, e não um censo completo de todos os ataques bem-sucedidos.
A alta também deve ser avaliada dentro de uma série histórica, em vez de ser tomada como prova de uma mudança definitiva. Em agosto, o Brasil já havia registrado a terceira elevação mensal consecutiva, chegando a 27 vítimas. O novo avanço para 31 reforça a importância de acompanhar a evolução por vários meses e considerar outros indicadores, como interrupções de serviços, incidentes comunicados e tempo de recuperação.
Ransomware não se resume à criptografia de arquivos. Em muitos ataques, os criminosos tentam obter acesso por meio de credenciais comprometidas ou falhas em sistemas expostos. Depois, podem procurar ampliar seus privilégios, circular pela rede e alcançar dados ou serviços de maior valor. A criptografia e a ameaça de divulgar informações podem fazer parte da extorsão, mas nem toda campanha segue exatamente o mesmo roteiro.
Os dados agregados de setembro não identificam como cada uma das 31 organizações brasileiras foi atacada. Ainda assim, mostram por que a defesa precisa abranger diferentes etapas da invasão. Bloquear arquivos maliciosos é importante, mas não basta se credenciais roubadas permitirem acesso a sistemas críticos ou se um invasor conseguir avançar sem ser detectado.
Para empresas de médio porte, alguns dos alvos mais sensíveis são os serviços de identidade, os servidores de virtualização, os sistemas de gestão e os ambientes de backup. Uma conta com privilégios excessivos ou uma rede sem separação adequada pode facilitar a propagação do ataque. Por isso, limitar acessos ao estritamente necessário e segmentar os sistemas ajudam a reduzir o impacto caso uma máquina seja comprometida.
Manter programas e equipamentos atualizados também é essencial, especialmente quando há correções para falhas que podem ser exploradas remotamente. A organização deve saber quais ativos estão expostos à internet, quais sistemas estão sem suporte e quem é responsável por aplicar atualizações. Um processo contínuo de inventário e correção reduz a janela em que vulnerabilidades conhecidas podem ser usadas contra a empresa.
Backups protegidos são outra parte fundamental da preparação. Cópias isoladas da rede principal ou com mecanismos de imutabilidade podem dificultar que invasores as apaguem ou alterem. No entanto, backup não elimina todos os riscos: criminosos também podem copiar informações e ameaçar divulgá-las. Além de preservar arquivos, a empresa precisa entender quais dados sensíveis mantém, onde estão armazenados e quem tem permissão para acessá-los.
A capacidade de recuperação deve ser testada na prática. Não basta saber que existem cópias de segurança: é necessário verificar se os arquivos podem ser restaurados, quanto tempo essa operação leva e quais serviços precisam voltar primeiro. Simulações ajudam a identificar dependências entre sistemas e a definir prioridades para manter atividades essenciais durante uma crise.
Também é importante preparar uma resposta coordenada. As equipes de tecnologia, segurança, jurídico, comunicação e gestão precisam conhecer suas responsabilidades e os canais de acionamento. Um plano bem definido pode orientar o isolamento de equipamentos afetados, a preservação de evidências, a avaliação do impacto e a comunicação com as partes envolvidas, sem comprometer a investigação.
A elevação observada no Brasil, enquanto o total global recuou, merece atenção, mas não permite concluir, por si só, que as empresas nacionais estejam menos protegidas ou que todos os ataques tenham aumentado na mesma proporção. O indicador sinaliza uma pressão relevante e reforça a necessidade de revisar controles, testar a recuperação e investir conforme o risco e a importância dos serviços para cada organização.
