Ataque cibernético afeta sistemas da Cohab de Campinas
A Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab-Campinas), em São Paulo, informou ter sido alvo de um ataque cibernético contra servidores que armazenam bancos de dados da instituição. O incidente foi identificado na segunda-feira, 19 de outubro, nove dias antes da divulgação do comunicado.
As informações disponíveis indicavam que a ação envolveu um ataque de ransomware. Nesse tipo de ocorrência, criminosos podem bloquear ou criptografar arquivos e, em seguida, exigir dinheiro para liberar o acesso. No caso da Cohab-Campinas, o ataque também teria alcançado cópias de segurança da organização, o que pode dificultar a recuperação dos sistemas e dos dados.
Mesmo com parte da infraestrutura comprometida, o atendimento presencial continuava funcionando normalmente. A companhia também informou que mantinha algumas atividades em andamento, com acesso à internet e determinados computadores operando. A recuperação completa, porém, ainda dependia do trabalho das equipes técnicas.
A Informática de Municípios Associados (IMA) foi acionada para auxiliar na restauração dos sistemas afetados. A Cohab afirmou que seus profissionais seguiam trabalhando para retomar integralmente os serviços, sem divulgar um prazo para a normalização. O tempo necessário para esse processo pode variar conforme a extensão dos danos, a disponibilidade de cópias íntegras dos dados e a necessidade de verificar se ainda há ameaças nos equipamentos.
A companhia registrou boletim de ocorrência, e a Polícia Civil passou a investigar o caso sob sigilo. O ataque teria sido acompanhado por uma exigência de resgate. Como a apuração estava em andamento, a Cohab-Campinas declarou que não forneceria detalhes capazes de prejudicar o trabalho das autoridades.
Além da investigação policial, foi aberta uma sindicância interna para esclarecer como a invasão ocorreu e avaliar sua dimensão. Essa apuração pode ajudar a identificar quais sistemas foram atingidos, se informações foram acessadas ou copiadas e quais medidas precisam ser adotadas para reduzir o risco de novos incidentes.
Quando uma organização enfrenta ransomware, recuperar arquivos é apenas uma parte do trabalho. Também é necessário confirmar que os sistemas estão seguros antes de voltar a utilizá-los, trocar credenciais potencialmente expostas e verificar se programas maliciosos permanecem na rede. Restaurar dados sem essa checagem pode permitir que a invasão se repita.
A situação dos backups é especialmente importante. Cópias de segurança armazenadas na mesma rede dos sistemas principais podem ser afetadas junto com eles. Por isso, instituições públicas e privadas costumam buscar alternativas como cópias isoladas, controles de acesso mais restritos e testes periódicos de restauração. Ter um backup não basta: é preciso saber se ele está íntegro e se pode ser recuperado.
Durante a recuperação, a comunicação com o público também é essencial. Informações claras sobre os canais de atendimento disponíveis e eventuais limitações ajudam moradores e usuários dos serviços a se planejarem. No comunicado, a Cohab-Campinas destacou que o atendimento presencial permanecia normal, embora parte dos recursos digitais ainda estivesse comprometida.
O caso evidencia a importância de manter planos de resposta a incidentes, treinar equipes e atualizar sistemas. Procedimentos definidos com antecedência podem ajudar a conter uma invasão, preservar evidências para a investigação e restabelecer operações com mais segurança. A extensão dos prejuízos e os detalhes técnicos do ataque, contudo, não foram divulgados enquanto as apurações permaneciam em curso.
