Cloud security resource

Mitre Att&ck v20 adiciona nove técnicas de ataque e amplia foco em inteligência artificial

5 минут чтения

MITRE ATT&CK v20 inclui nove técnicas de ataque e amplia foco em IA

A versão 20 do MITRE ATT&CK acrescenta nove técnicas ao domínio Enterprise e amplia a descrição de ameaças relacionadas à inteligência artificial, à autenticação multifator e a mecanismos anti-automação. Publicada em 13 de outubro de 2026, a atualização também traz mudanças para sistemas de controle industrial e dispositivos móveis, além de novas orientações para detectar atividades suspeitas.

O ATT&CK é uma base de conhecimento que organiza comportamentos e métodos usados por invasores. Ele oferece uma linguagem comum para que equipes de segurança documentem ameaças, planejem testes e desenvolvam estratégias de defesa. A presença de uma técnica no framework, por si só, não significa que uma organização tenha sido comprometida: ela descreve um comportamento que pode ser analisado e monitorado.

Cinco técnicas tratam de riscos associados à IA

Parte das novidades do domínio Enterprise acompanha a adoção de sistemas de inteligência artificial em empresas. A Injeção Direta de Prompt descreve tentativas de inserir instruções maliciosas diretamente na interação com um modelo de linguagem, com o objetivo de influenciar suas respostas ou fazê-lo agir de maneira não prevista.

Já a Injeção Indireta de Prompt ocorre quando as instruções estão embutidas em conteúdos que a ferramenta de IA consulta ou processa, como páginas da web, mensagens de e-mail e documentos. Nesse cenário, o usuário pode não perceber que o material contém comandos capazes de interferir no comportamento do sistema.

A técnica Exfiltração Habilitada por IA abrange tentativas de induzir um agente corporativo de inteligência artificial a transmitir informações para fora da organização. O risco é maior quando a ferramenta tem acesso a dados internos e pode executar ações ou interagir com serviços externos sem controles suficientemente restritivos.

Outra novidade, Envenenamento de Resultados de IA, envolve a manipulação de conteúdo público na internet para influenciar respostas de mecanismos de busca e assistentes inteligentes. Ao encontrar informações adulteradas ou produzidas para esse fim, a ferramenta pode apresentar resultados enganosos.

A quinta técnica desse grupo, Prejudicar Defesas Autônomas, descreve ações voltadas a interromper, enfraquecer ou contornar análises de segurança realizadas com apoio de IA. Isso pode reduzir a capacidade de identificar atividades suspeitas quando os processos de monitoramento dependem de sistemas automatizados.

CAPTCHA e senhas de aplicativos entram no framework

A atualização também formaliza a categoria Evasão Anti-Automação, que reúne métodos para contornar verificações usadas para distinguir pessoas de programas. Ela inclui duas sub-técnicas: Automatizar a Resolução de CAPTCHA, quando ferramentas são usadas para superar o desafio, e Evitar CAPTCHA, que abrange formas de impedir ou contornar a apresentação dessa verificação.

A nona técnica Enterprise é Roubar Senhas Específicas de Aplicativo. Essas credenciais podem ser criadas para softwares ou dispositivos antigos que não oferecem suporte aos mecanismos convencionais de autenticação multifator (MFA). Se um invasor obtiver uma senha desse tipo, poderá acessar a conta sem passar pela segunda etapa de verificação normalmente exigida.

A inclusão desse método chama atenção para uma possível lacuna em ambientes que ainda dependem de sistemas legados. Senhas de aplicativo podem ser necessárias para manter determinadas integrações, mas devem ser inventariadas, limitadas ao serviço correspondente e revogadas quando deixarem de ser utilizadas.

Novas descrições para ICS e dispositivos móveis

As mudanças da versão 20 também alcançam o domínio de sistemas de controle industrial (ICS). O MITRE acrescentou a técnica Interpretador de Comandos e Scripts e sub-técnicas relacionadas a PowerShell, Windows Command Shell, Unix Shell, Visual Basic, Python e JavaScript. A atualização ainda adiciona sub-técnicas para DNS e para protocolos de publicação e assinatura.

Essas classificações ajudam a detalhar como comandos e scripts podem ser empregados em ambientes industriais, nos quais sistemas de tecnologia operacional precisam ser protegidos sem interromper processos essenciais. A identificação do método utilizado pode apoiar a investigação e orientar medidas de contenção mais específicas.

No domínio mobile, a v20 restaura a técnica Entregar Aplicativo Malicioso por Outros Meios e inclui o malware NGate. Ele pode retransmitir dados de cartões de pagamento por meio do recurso de pagamento por aproximação do telefone, demonstrando como dispositivos móveis podem ser usados para intermediar atividades fraudulentas.

O que a atualização muda para as equipes de segurança

As notas da versão registram ainda 15 novas estratégias de detecção e 38 análises. Esses materiais podem ajudar profissionais a relacionar comportamentos descritos no ATT&CK a sinais observáveis em redes, sistemas e ferramentas de monitoramento. O valor da atualização está em conectar ameaças emergentes de IA a métodos já conhecidos de roubo de credenciais, malware e atividade em redes industriais.

Para aproveitar as novas classificações, uma organização pode começar verificando quais sistemas de IA têm acesso a documentos internos, bases de dados ou serviços externos. Também é importante revisar permissões, limitar o acesso ao mínimo necessário e controlar quais informações podem ser enviadas para ferramentas externas.

A proteção contra injeções de prompt exige atenção tanto às instruções recebidas diretamente quanto ao conteúdo que os sistemas processam. Restringir as fontes de dados, validar entradas e saídas e exigir aprovação humana para ações sensíveis reduz a possibilidade de que uma instrução maliciosa produza efeitos operacionais ou exponha informações.

No caso de CAPTCHA, controles complementares podem dificultar a automação abusiva. Monitoramento de volume e frequência de solicitações, análise de padrões anormais de acesso e mecanismos de bloqueio gradual ajudam a identificar tentativas automatizadas sem depender de uma única verificação.

Já para credenciais de aplicativos, convém manter um inventário atualizado, remover senhas sem uso e acompanhar os acessos feitos por contas que dependem delas. Sempre que possível, a substituição de sistemas legados por soluções compatíveis com MFA reduz a dependência desse tipo de credencial.

Por fim, as novas técnicas podem ser incorporadas a avaliações de risco, exercícios de resposta a incidentes e regras de detecção. A correspondência entre os comportamentos do ATT&CK e os registros já coletados pela organização ajuda a revelar pontos cegos e a definir prioridades, sem tratar a simples inclusão de uma técnica no framework como prova de um ataque.