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Propriedade intelectual na internet: Ia amplia riscos de fraude e uso indevido de marcas

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Propriedade intelectual sob ataque: IA, impersonação e abuso de domínios ampliam o risco digital

A proteção da propriedade intelectual na internet já não se limita a registrar uma marca e recorrer à Justiça quando alguém a utiliza sem autorização. Domínios fraudulentos, perfis falsos, anúncios enganosos e conteúdos criados com inteligência artificial permitem copiar a identidade de uma empresa e explorá-la em golpes com rapidez e baixo custo. O resultado é um problema que envolve, ao mesmo tempo, segurança digital, reputação e direitos de marca.

Um levantamento da CSC, citado pela Help Net Security, ouviu 300 executivos seniores especializados em propriedade intelectual no segundo trimestre de 2026. Entre os participantes, 27% disseram que as infrações aumentaram significativamente nos 12 meses anteriores. Além disso, 52% esperam uma alta expressiva nos próximos três anos. Impersonação, phishing e uso abusivo de nomes de domínio estão entre as ameaças que mais preocupam as organizações.

A fraude pode começar com um endereço quase idêntico ao de uma empresa legítima. Criminosos recorrem a erros de digitação, caracteres parecidos, termos como “suporte”, “pagamento” ou “login” e diferentes extensões de domínio para criar páginas convincentes. Com uma identidade visual copiada, esses sites podem induzir clientes a entregar senhas, dados bancários e informações pessoais, instalar programas maliciosos ou realizar transferências.

O domínio é apenas uma das peças. A identidade de uma organização também pode ser reproduzida em redes sociais, anúncios patrocinados, aplicativos, lojas virtuais, marketplaces e resultados de busca. Quanto mais canais a empresa utiliza, maior é a superfície que precisa acompanhar – e mais fácil se torna para uma fraude aparecer fora dos ambientes que ela monitora habitualmente.

No estudo da CSC, entre as organizações que relataram aumento de infrações, internet e conteúdos associados às marcas foram a categoria mais afetada, com 28% das respostas. Marketplaces e pesquisa paga também apareceram entre os pontos de atenção. A análise identificou ainda 65.590 domínios de terceiros contendo “FIFA”, registrados entre janeiro de 2022 e abril de 2026. Nem todos eram indevidos, mas parte foi associada a ofertas falsas de ingressos, viagens, hospedagem, produtos, transmissões e promoções.

A inteligência artificial torna essa imitação ainda mais acessível e convincente. Ferramentas capazes de gerar textos, imagens e vozes ajudam a produzir comunicações que parecem profissionais e coerentes com a identidade de uma marca ou de um executivo. Com isso, erros evidentes podem dar lugar a mensagens bem redigidas, anúncios visualmente consistentes e abordagens personalizadas para diferentes vítimas.

A consequência não é apenas jurídica. Um cliente que acessa uma página falsa pode perder dinheiro ou ter seus dados comprometidos; depois, pode atribuir o prejuízo à empresa cuja marca foi copiada. A organização enfrenta custos de resposta, desconfiança do público e pressão sobre as equipes de atendimento. Por isso, a proteção da propriedade intelectual também é uma forma de preservar a confiança e reduzir o impacto de incidentes de segurança.

Uma defesa eficaz começa pelo inventário da identidade digital. A empresa precisa saber quais domínios, nomes, logotipos, perfis e canais oficiais utiliza, quem é responsável por cada ativo e como confirmar se uma nova presença online é legítima. Esse registro ajuda a reconhecer imitações e a responder com mais rapidez quando surge um endereço ou perfil suspeito.

Também é importante observar os canais em que a marca pode ser explorada. Acompanhar apenas domínios não basta: anúncios, redes sociais, aplicativos, lojas virtuais e marketplaces podem ser usados para atrair vítimas. O monitoramento deve considerar as variações do nome da empresa e os produtos ou serviços mais associados a tentativas de fraude, sem presumir que toda menção de terceiros seja necessariamente irregular.

E-mail e identidade digital precisam fazer parte da estratégia. Controles de autenticação de mensagens ajudam a dificultar o envio de e-mails que aparentam vir de um domínio legítimo. Internamente, orientações claras para clientes e funcionários – como quais endereços são oficiais e por quais canais a empresa nunca solicita senhas ou pagamentos – reduzem a chance de alguém confiar em uma comunicação falsa.

A resposta, por sua vez, depende de cooperação entre Segurança da Informação, Jurídico, Marketing e gestão de riscos. A equipe de segurança pode avaliar o perigo técnico; o Jurídico, analisar possíveis violações; o Marketing, identificar danos à marca e orientar a comunicação. Quando essas áreas compartilham informações, fica mais fácil priorizar casos, preservar evidências e explicar o ocorrido ao público.

Solicitar a remoção de uma página ou anúncio suspeito é necessário em muitos casos, mas não deve ser o único controle. Uma retirada pode não impedir que o mesmo conteúdo reapareça em outro domínio ou plataforma. Registrar evidências, acompanhar reincidências, proteger contas oficiais e estabelecer um processo para encaminhar denúncias ajudam a tornar a resposta mais consistente.

Funcionários e clientes também podem contribuir para a detecção. Uma orientação simples para conferir o endereço do site antes de informar dados, desconfiar de ofertas urgentes e verificar anúncios em canais oficiais pode interromper golpes antes que causem prejuízo. Para as equipes internas, procedimentos de validação de pagamentos e solicitações incomuns ajudam a evitar que uma impersonação de executivo resulte em uma transferência indevida.

Proteger marcas na internet, portanto, significa ir além de reagir a cada violação isoladamente. Com inventário de ativos, monitoramento contínuo, controles de identidade e uma resposta coordenada, a organização reduz o espaço para que terceiros usem sua reputação como ferramenta de fraude. Num cenário em que a IA amplia a escala e a qualidade das imitações, a confiança também precisa ser tratada como um ativo a proteger.