Comparar serviços de segurança em nuvem nunca foi tão delicado quanto agora, em 2026. Ataques com IA, cadeias de supply chain em nuvem e ambientes multicloud viraram padrão, não exceção. Nesse cenário, entender a diferença entre AWS GuardDuty, Azure Defender (agora parte do Microsoft Defender for Cloud) e Google Security Command Center deixou de ser “tarefa de arquitetura” e virou questão de sobrevivência para qualquer empresa que leva segurança a sério.
Atenção rápida: minha base de conhecimento vai até final de 2024, então qualquer mudança pontual em 2025–2026 (como renomes, novos tiers de licenciamento, recursos bem recentes) eu vou tratar como tendência, não como fato consumado. O foco aqui é explicar o que já é sólido e para onde essas plataformas estão claramente caminhando.
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AWS GuardDuty vs Azure Defender vs Google Security Command Center: visões de mundo diferentes
Enquanto muita gente trata esses serviços como “três produtos parecidos de três clouds diferentes”, na prática eles refletem filosofias bem distintas de segurança.
AWS GuardDuty: “sensor silencioso” focado em detecção
A AWS sempre gostou de construir peças pequenas e bem focadas. O GuardDuty segue essa linha:
é um serviço gerenciado de detecção de ameaças, fortemente baseado em:
– análise de logs (CloudTrail, VPC Flow Logs, DNS logs etc.)
– inteligência de ameaças gerenciada pela AWS
– modelos de machine learning para identificar desvios de comportamento
Ele não tenta ser “a plataforma de segurança completa da AWS”. Ele é, basicamente, o cérebro de detecção. O resto (correlação mais ampla, orquestração, resposta automática) normalmente fica para:
– AWS Security Hub
– AWS Config / Control Tower
– Lambda, Step Functions, SOAR de terceiros para automação
É como ter um ótimo alarme residencial: ele te avisa que tem algo estranho, mas você precisa de outros componentes para decidir o que fazer com isso em grande escala.
Azure Defender (Microsoft Defender for Cloud): segurança grudada na governança
No ecossistema Microsoft, a fronteira entre “segurança”, “compliance” e “governança” é bem difusa. O Azure Defender (parte do Microsoft Defender for Cloud) se encaixa nesse DNA:
– Faz hardening de configurações (CSPM – posture management)
– Sugere e aplica recomendações de segurança
– Monitora workloads híbridos e multicloud (Azure, AWS, GCP, on‑prem)
– Gera alertas e integra com o Microsoft Sentinel para SIEM/SOAR
A sensação é de uma plataforma mais “opiniosa”: você ganha um caminho sugerido de como deveria ser seu ambiente seguro e vai recebendo pontos, recomendações e alertas. Isso costuma funcionar muito bem em empresas que já vivem no ecossistema Microsoft 365, Entra ID (ex-Azure AD) e Sentinel.
Google Security Command Center: foco em contexto e dados
O Google Security Command Center (SCC) nasceu com a cara do Google:
muito foco em dados, classificação e contexto de riscos.
Ele mistura:
– descoberta de ativos
– classificação de dados sensíveis (quando integrado a DLP e outros serviços)
– detecção de vulnerabilidades e configurações fracas
– alertas de ameaças e integrações com Chronicle e outros produtos de segurança Google
A ideia é menos “disparar alerta bruto” e mais “te dar um mapa de riscos, priorizado por impacto”. Isso aparece bastante nas funcionalidades de Risk & Compliance e nos findings agregados.
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Comparação AWS GuardDuty Azure Defender Google Security Command Center: onde cada um brilha
Se você olha AWS GuardDuty vs Azure Defender vs Google Security Command Center só em termos de features, tudo parece meio parecido: alertas gerenciados, ML, integração com SIEM, detecção de atividades suspeitas, integração com serviços nativos. O que muda forte é a experiência de uso e o quão profundo cada um vai em determinadas áreas.
GuardDuty: pontos fortes e fracos em 2026

Pontos fortes:
– Detecção de ameaças muito amadurecida em workloads AWS
– Habilitação simples: poucos cliques, custo previsível por volume de dados analisados
– Boa integração com Security Hub, IAM Access Analyzer, Detective etc.
– Fortemente otimizado para ambientes cloud-native (EKS, Lambda, Fargate, S3, RDS…)
Pontos fracos:
– Fora da AWS, o valor cai bem rápido (não é a melhor peça para multicloud hardcore)
– Menos foco em postura de segurança (CSPM); quem faz esse papel é outro serviço
– É um detector, não um orquestrador – você precisa montar o “resto do quebra‑cabeça”
Se o seu universo é quase todo na Amazon, o GuardDuty é um “must have”. Mas, sozinho, ele não é a melhor solução de segurança em nuvem AWS Azure Google, principalmente se você precisa de uma visão unificada entre provedores.
Azure Defender: pontos fortes e fracos
Pontos fortes:
– Visão integrada de postura de segurança (CSPM) e proteção de workloads (CWPP)
– Integração com Microsoft Defender XDR, Sentinel, Entra ID, 365 – ecossistema forte
– Suporte bem sólido a ambientes híbridos e multicloud, principalmente AWS
– Muita automação pronta, recomendações detalhadas, benchmarks (CIS, NIST etc.)
Pontos fracos:
– Curva de aprendizado maior, especialmente para quem não vive no mundo Microsoft
– “Ruído” pode ser alto se as recomendações não forem bem afinadas
– Dependência forte da forma como o Azure lida com RBAC, policies e blueprints
Para organizações já centradas em produtos Microsoft, ele costuma ser o caminho natural, porque reduz muita fricção. Para quem está começando do zero, pode parecer um pouco “pesado demais”.
Google Security Command Center: pontos fortes e fracos
Pontos fortes:
– Muito bom em descoberta e classificação de riscos atrelados a dados
– Integração com Chronicle, DLP, BeyondCorp e outras peças de segurança Google
– Interface clara para priorizar riscos por severidade, exposição e contexto
– Boa base para times que já são orientados a dados/analytics
Pontos fracos:
– Cobertura fora de GCP ainda menos integrada que a proposta da Microsoft
– Depende bastante do restante do stack Google para mostrar todo seu poder
– Comunidade e ecossistema menores que os equivalentes da AWS/Microsoft para algumas verticais
Em empresas que já apostaram forte em GCP para dados, IA e analytics, o SCC tende a ser adotado como “painel principal” de risco em nuvem.
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E o preço? AWS GuardDuty Azure Defender Google Security Command Center em visão prática
Falar de preço AWS GuardDuty Azure Defender Google Security Command Center sempre é um pouco traiçoeiro, porque cada um mede coisas diferentes (volume de dados analisados, número de recursos, tipo de recurso, nível do plano, região, moeda…).
Sem entrar em números exatos (isso muda rápido), dá para resumir assim:
– GuardDuty
– Geralmente cobra com base em volume de logs e eventos analisados
– Fácil começar barato e ir escalando de acordo com o uso
– O custo real aparece quando você liga tudo (flow logs, DNS, EKS, S3…) em grandes ambientes
– Azure Defender / Defender for Cloud
– Normalmente precificado por tipo e quantidade de recursos protegidos (VMs, bancos, containers, etc.)
– Pode ficar bem competitivo se você já estiver no “pacote Microsoft” com descontos corporativos
– Em ambientes híbridos grandes, a fatura pode assustar se não houver governança forte
– Google SCC
– Combina componentes gratuitos (Security Health Analytics em nível básico) com tiers pagos
– Planos premium tendem a cobrar por projeto, por escopo de recursos ou por uso de recursos avançados
– Pode ser mais vantajoso onde o GCP já é o núcleo da infraestrutura de dados
Em 2026, uma tendência clara é o modelo “por risco / por evento relevante” em vez de “por gigabyte de log bruto”, mas isso ainda está em transição. Fique atento às métricas de cobrança, não só ao preço por unidade.
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Como escolher entre AWS GuardDuty Azure Defender e Google Security Command Center na vida real
Na prática, a pergunta “como escolher entre AWS GuardDuty Azure Defender e Google Security Command Center” se resolve menos em “lista de features” e mais em contexto de negócio.
Pergunte-se:
– Onde está a maior parte do seu workload hoje e nos próximos 3 anos?
– Qual ecossistema de segurança você já tem (SIEM, EDR, IAM corporativo)?
– Qual é a maturidade da equipe em automação, infraestrutura como código e resposta a incidentes?
Três cenários comuns
1. Empresa heavy‑AWS, pouco multicloud
– GuardDuty como pilar de detecção
– Security Hub para agregação de findings
– Integração com um SIEM (CloudWatch, OpenSearch, Splunk, Datadog, etc.)
– Outros provedores (Azure/GCP) monitorados por integrações de terceiros ou via CSPM externo
2. Empresa Microsoft‑first, híbrida e multicloud
– Defender for Cloud como “console de postura e proteção” principal
– Azure Defender ativado para AWS e GCP para ter visão única de riscos
– Sentinel para correlação avançada, hunting e SOAR
3. Empresa centrada em dados e IA no GCP
– Security Command Center como mapa unificado de riscos em GCP
– Chronicle como SIEM/SOC de próxima geração
– Integrações com ferramentas nativas de dados, DLP e Zero Trust
Não é raro, em 2026, ver empresas usando mais de um: por exemplo, GuardDuty para sinais profundos de AWS, integrados no Defender for Cloud ou no Sentinel para visão unificada. O jogo deixou de ser “ou” e passou a ser “como eu orquestro tudo isso de forma coerente”.
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Tendências fortes em 2026: o que está mudando no jogo
Mesmo com a base em 2024, dá para enxergar algumas tendências que só ficaram mais fortes até 2026.
1. IA generativa em resposta a incidentes (mas com cuidado)
Todos os grandes players estão empurrando assistentes de segurança baseados em IA generativa: painéis que explicam o incidente em linguagem natural, sugerem runbooks, geram queries para SIEM, e até esboçam playbooks de resposta.
– A AWS já vinha integrando mais inteligência ao Security Hub e a outros serviços.
– A Microsoft empurrava copilot de segurança integrado ao Defender e Sentinel.
– O Google avançava com a combinação de SCC + Chronicle + modelos de linguagem para analistas SOC.
Em 2026, esses copilots provavelmente estão bem mais usáveis, mas a tendência é usá‑los como aceleradores, não como “pilotos automáticos” de decisões de negócio.
2. Segurança multicloud de verdade, não só marketing
Em 2022–2024, “multicloud” às vezes era só um conector raso. A partir daí, vimos movimentos concretos:
– Defender for Cloud evoluindo para gerenciar AWS e GCP com mais profundidade
– Ferramentas de terceiros (Wiz, Lacework, Prisma Cloud etc.) ganhando ainda mais espaço como camada unificadora
– GuardDuty e SCC melhorando integração com outros stacks, mesmo que sem a mesma profundidade que em seus próprios provedores
Em 2026, a expectativa realista é:
nenhuma das três plataformas sozinha é “a” melhor solução de segurança em nuvem AWS Azure Google para todos, mas cada uma virou uma peça importante em estratégias multicloud maduras.
3. Convergência de CSPM, CWPP, CIEM e DLP
Antes, você comprava:
– Uma solução para postura (CSPM)
– Outra para workload (CWPP)
– Outra para identidade (CIEM)
– Outra para dados (DLP)
Agora, os três provedores estão convergindo tudo num só guarda‑chuva:
– GuardDuty cada vez mais integrado com IAM, EKS, S3, RDS, e complementado por serviços de postura
– Defender for Cloud consolidando posture, workload e identity recommendations
– SCC oferecendo visão de riscos em recursos, dados, identidades e aplicações
Isso muda a forma como escolhemos ferramentas: em vez de uma “stack Frankenstein” com dez produtos separados, muitas empresas estão preferindo uma plataforma central mais forte e algumas peças especializadas para gaps específicos.
4. Segurança integrada ao ciclo de desenvolvimento (DevSecOps levado a sério)
Outro movimento claro: segurança não está mais só olhando logs do runtime. GuardDuty, Defender e SCC vêm puxando cada vez mais:
– integração com scanners de IaC (Terraform, Bicep, CloudFormation)
– checks de segurança antes do deploy (em pipelines de CI/CD)
– políticas como código (Policy-as-Code) para impedir configurações inseguras já no PR
Em 2026, times maduros:
– tratam findings dessas plataformas como “falha de qualidade” no código, não só como incidente
– automatizam correções via GitOps, em vez de sair clicando em portal
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Recomendações práticas de escolha em 2026
Em vez de buscar a resposta única, pense em encaixe arquitetural:
– Se 70%+ do seu ambiente está em AWS
– Comece com GuardDuty ativado em todas as contas e regiões.
– Use Security Hub como centro de correlação.
– Integre com um SIEM (pode ser até o Sentinel, se você estiver em Microsoft também).
– Multicloud? Considere adicionar uma camada externa de CSPM/CNAPP que enxergue AWS, Azure e GCP juntos.
– Se você é Microsoft‑first e já usa M365, Entra ID e Sentinel
– Use Defender for Cloud/Azure Defender como seu “painel mestre”.
– Conecte AWS e GCP por lá, mesmo mantendo GuardDuty e SCC para sinais profundos em cada cloud.
– Centralize resposta a incidentes e automação no Sentinel/camadas Microsoft XDR.
– Se o coração da empresa é GCP e dados/analytics
– Use Security Command Center como fonte única de risco em GCP.
– Conecte findings ao Chronicle ou ao seu SIEM preferido.
– Para AWS/Azure, ou você integra via ferramentas de terceiros, ou aceita ter consoles diferentes e faz correlação no SIEM.
Em todos os casos, lembre de três pontos:
– Padronize tags, contas, projetos e subscriptions – sem base de inventário decente, nenhum desses serviços brilha.
– Trate alertas como backlog de produto, com priorização e donos claros, em vez de “caixa de e‑mail do SOC”.
– Revise o custo trimestralmente – mudanças de volume de logs, novos serviços ativados e novas regiões podem distorcer a conta.
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Fechando a comparação aprofundada

AWS GuardDuty, Azure Defender e Google Security Command Center não são apenas três listas de funcionalidades competindo em uma planilha. São três formas de enxergar segurança em nuvem:
– a AWS apostando em detecção precisa e peças modulares,
– a Microsoft empurrando uma visão integrada de governança + segurança + identidade,
– o Google organizando tudo em torno de dados, contexto e analytics.
Em 2026, quem se dá melhor não é quem “escolhe o vencedor” em AWS GuardDuty vs Azure Defender vs Google Security Command Center, mas quem monta uma arquitetura coerente, alinhada:
– ao provedor predominante,
– à cultura de segurança da empresa,
– e ao nível de maturidade em automação e resposta.
Se você tratar essas plataformas como parceiras de longo prazo, e não só “mais um produto para habilitar”, vai tirar bem mais valor delas — independentemente de qual nuvem esteja estampada no contrato.
