NETSCOUT amplia proteção contra ataques DDoS além das CDNs
O avanço acelerado do tráfego de dados também elevou o nível de ameaça enfrentado por empresas conectadas à internet. Ataques distribuídos de negação de serviço, conhecidos como DDoS, passaram a alcançar volumes superiores a 30 terabits por segundo (Tbps), pressionando estruturas de defesa que, até pouco tempo, eram consideradas suficientes.
Nesse tipo de ofensiva, redes de dispositivos comprometidos enviam uma quantidade massiva de requisições falsas para sites, servidores, APIs e aplicações. O objetivo é consumir banda, capacidade de processamento, memória ou conexões disponíveis, impedindo que usuários legítimos consigam utilizar o serviço.
Para Christopher Rodriguez, diretor de pesquisa de segurança e confiança da IDC, a motivação dos criminosos pode variar, mas o efeito buscado é praticamente o mesmo: esgotar os recursos da organização atacada. A indisponibilidade pode causar perda de receita, interrupção de operações, danos à reputação e até impactos em serviços considerados essenciais.
Por que a CDN nem sempre resolve o problema
As redes de distribuição de conteúdo, ou CDNs, são amplamente utilizadas para acelerar o carregamento de páginas e aplicações. Elas distribuem cópias de conteúdos entre servidores espalhados por diferentes localidades, aproximando os dados dos usuários e reduzindo a carga sobre a infraestrutura principal.
Além do ganho de desempenho, a CDN costuma atuar como uma camada inicial de proteção contra DDoS. Como o tráfego é direcionado para uma rede distribuída, grandes volumes de requisições maliciosas podem ser absorvidos, analisados e filtrados antes de chegar ao servidor de origem.
Essa proteção, porém, não cobre necessariamente todos os caminhos de acesso à aplicação. Scott Iekel-Johnson, vice-presidente associado de gerenciamento de produtos da NETSCOUT, alerta que uma empresa não deve presumir que a simples colocação de uma CDN diante de um aplicativo seja suficiente para proteger toda a infraestrutura.
Os invasores podem descobrir o endereço real do servidor de origem, explorar serviços que não passam pela CDN ou direcionar ataques a componentes específicos, como APIs, sistemas de autenticação, gateways, ambientes de nuvem e conexões usadas por parceiros. Também é possível mascarar o tráfego malicioso para que ele se pareça com o comportamento de usuários reais.
AED atua além da camada de distribuição
Para enfrentar esse cenário, a NETSCOUT anuncia o uso ampliado do Arbor Edge Defense, conhecido pela sigla AED. A solução foi projetada para funcionar como uma camada adicional de análise e filtragem próxima à infraestrutura da aplicação.
Durante um ataque, o AED examina o tráfego que chega ao ambiente protegido e procura identificar padrões incompatíveis com o comportamento normal dos usuários. A tecnologia pode analisar tanto as requisições encaminhadas pela CDN quanto as conexões que tentam chegar diretamente ao ambiente de origem.
Essa visibilidade permite detectar quando um criminoso tenta contornar a rede de distribuição para atingir diretamente servidores e equipamentos corporativos. Em vez de tratar todo o tráfego como uma ameaça única, a solução busca separar usuários legítimos, robôs autorizados e atividades suspeitas.
Na prática, essa abordagem reduz o risco de bloqueios excessivos. Um filtro mal calibrado pode derrubar o acesso de clientes que estão realizando compras, consultando uma conta ou utilizando uma aplicação normalmente. A proposta do AED é bloquear a atividade considerada perigosa sem interromper indiscriminadamente o atendimento aos demais usuários.
Proteção para aplicações críticas
A expansão dos ataques DDoS tornou a disponibilidade digital uma questão estratégica. Bancos, varejistas, empresas de tecnologia, plataformas de serviços e órgãos públicos dependem de aplicações continuamente acessíveis. Mesmo poucos minutos de indisponibilidade podem gerar impactos financeiros expressivos.
Por isso, a defesa não deve se limitar ao site institucional. APIs, aplicativos móveis, portais de clientes, sistemas de pagamento e ambientes usados por funcionários também precisam ser incluídos no planejamento de proteção. Cada ponto exposto pode representar uma rota alternativa para um atacante.
Uma arquitetura mais completa combina diferentes mecanismos. A CDN continua importante para distribuição de conteúdo e absorção de parte do volume malicioso, enquanto uma camada especializada junto à infraestrutura de origem ajuda a proteger caminhos que não passam pela rede de distribuição.
Visibilidade é essencial para evitar falsos positivos
Um dos maiores desafios no combate a DDoS é distinguir um ataque volumétrico de um pico legítimo de acessos. Campanhas promocionais, lançamentos de produtos, eventos transmitidos pela internet e períodos de grande demanda podem gerar tráfego semelhante ao produzido por uma ofensiva.
Soluções de defesa precisam, portanto, considerar contexto, frequência das requisições, origem das conexões, comportamento de sessão e características técnicas dos acessos. A análise mais detalhada permite responder ao incidente com maior precisão e diminui a possibilidade de bloquear clientes reais.
Outro ponto importante é a capacidade de adaptação. Ataques modernos podem alternar entre diferentes vetores, combinar tráfego de rede com requisições direcionadas à aplicação e mudar de intensidade rapidamente. Uma solução eficiente deve acompanhar essas variações sem depender apenas de regras fixas.
O papel do planejamento contra DDoS
A tecnologia é apenas uma parte da estratégia de resiliência. As empresas também precisam definir quais sistemas são críticos, estabelecer prioridades de recuperação e determinar quem será responsável por tomar decisões durante uma crise.
Testes periódicos ajudam a identificar gargalos antes de um incidente real. É recomendável avaliar a capacidade dos links, verificar se os endereços de origem estão devidamente protegidos, revisar regras de firewall e confirmar se os provedores envolvidos conseguem colaborar rapidamente em uma emergência.
Monitoramento contínuo também é indispensável. Indicadores como aumento repentino de requisições, crescimento anormal de erros, alterações no padrão geográfico dos acessos e saturação de conexões podem sinalizar o início de uma ofensiva.
Uma defesa em camadas
A principal mensagem da iniciativa da NETSCOUT é que nenhuma camada isolada deve ser tratada como solução definitiva. A CDN oferece distribuição e filtragem inicial, mas a proteção precisa avançar até a aplicação e a infraestrutura que sustenta o serviço.
Com o AED, a empresa busca ampliar a capacidade de enxergar os diferentes caminhos usados pelos usuários e pelos invasores. Essa abordagem favorece respostas mais precisas, preserva o acesso legítimo e reduz a dependência de uma única barreira de segurança.
À medida que os ataques ultrapassam volumes cada vez maiores e exploram técnicas de disfarce mais sofisticadas, proteger a disponibilidade exige uma combinação de visibilidade, análise comportamental, filtragem inteligente e preparação operacional. A continuidade dos serviços passa a depender não apenas de resistir ao tráfego malicioso, mas de identificar rapidamente sua origem e bloquear o risco sem comprometer a experiência dos clientes.
