Alta de preços da Palo Alto Networks chegará ao Brasil e já tem data para começar a valer. A companhia norte-americana, uma das líderes globais em cibersegurança, revisou para cima sua projeção de receita para o ano fiscal de 2026 após divulgar aumento de lucro no segundo trimestre fiscal, impulsionado pela forte demanda por seus serviços e plataformas de segurança digital.
Os números foram apresentados no relatório trimestral divulgado na terça-feira, 17, às 18h30 no horário de Brasília (13h30 na Califórnia). Apesar do avanço na receita e no lucro, a empresa frustrou parcialmente o mercado ao projetar um lucro por ação abaixo das expectativas de analistas. O motivo principal, segundo a própria Palo Alto Networks, é a alta expressiva nos custos de memória e armazenamento, componentes críticos para a fabricação de seus appliances e para a operação de suas ofertas baseadas em nuvem.
Para compensar esse aumento de custos e preservar margens, a companhia já definiu uma estratégia clara: haverá reajuste de preços ainda neste ano fiscal em todo o mundo – e o Brasil está incluído. A filial brasileira confirmou que a lista de preços local será afetada, assim como os prazos de entrega de diversos equipamentos de hardware.
Durante a conference call com investidores, o CFO Dipak Golechha detalhou como a empresa pretende enfrentar esse cenário. Ele destacou que o impacto no custo dos produtos vendidos (CPV) foi, por enquanto, marginal, mas reconheceu que a tendência de alta em memória e storage exige reação rápida. Segundo o executivo, a companhia confia em três pilares para mitigar riscos: a forte participação em software, a capacidade de ganhar eficiência pela escala global e a experiência acumulada em gestão de cadeia de suprimentos após as disrupções provocadas pela pandemia.
No call, Golechha explicou que a alta participação de software no portfólio da Palo Alto Networks funciona como uma espécie de colchão de proteção natural, já que soluções puramente de software sofrem menos pressão de componentes físicos. Além disso, ele ressaltou que a empresa pretende explorar ao máximo sua escala global de compras, seus acordos com fornecedores e a expertise em logística e planejamento para reduzir o impacto da crise de componentes. Por fim, confirmou que as novas políticas de precificação, planejadas para entrarem em vigor ainda neste exercício fiscal, têm como objetivo direto compensar os custos adicionais de memória e armazenamento.
No Brasil, a companhia já comunicou oficialmente seu plano de ação. De acordo com a assessoria de imprensa local, a Palo Alto Networks está ajustando simultaneamente preços e prazos de entrega diante das atuais restrições no mercado global de memória. A empresa informou que, com efeito imediato, o prazo de entrega de hardware passa a variar de 2 a 26 semanas, dependendo do modelo, para os portfólios de SD-WAN (linha ION) e Firewalls de Próxima Geração (NGFW).
Além da questão logística, há um ponto que impactará diretamente o orçamento de empresas brasileiras que usam a tecnologia da marca ou planejam adotá-la: um reajuste de 10% nos preços de todo o hardware da Série PA e das soluções Panorama foi programado para entrar em vigor em 3 de abril de 2026. Segundo a empresa, esse aumento é uma medida preventiva para garantir a continuidade do fornecimento e manter a integridade da cadeia de suprimentos, sem comprometer a disponibilidade e a qualidade dos produtos.
Na prática, esse movimento significa que projetos de upgrade de firewalls, expansão de infraestrutura, refresh de appliances e novas implantações com tecnologia Palo Alto Networks tendem a ficar mais caros daqui para frente, se não forem ajustados ou antecipados. Organizações que trabalham com planejamento plurianual de TI e segurança terão de reavaliar cronogramas e orçamentos, especialmente em ambientes que dependem intensamente de appliances físicos, como data centers, filiais com SD-WAN e redes com grande volume de inspeção de tráfego.
O reajuste de preços também deve ter impacto sobre revendedores, integradores e provedores de serviços gerenciados que trabalham com o portfólio da Palo Alto Networks no Brasil. Esses parceiros precisarão recalibrar suas propostas comerciais, revisar contratos de longo prazo e, em alguns casos, renegociar cláusulas com clientes corporativos que tinham valores previamente acordados. A recomendação, nesse cenário, é comunicar o quanto antes os efeitos do aumento, para evitar desgastes e permitir que as empresas clientes tomem decisões informadas.
Apesar do ambiente desafiador, a perspectiva de negócios da companhia segue positiva. No relatório financeiro, a Palo Alto Networks informou que espera uma receita entre 11,28 bilhões e 11,31 bilhões de dólares para o ano fiscal de 2026 – uma revisão significativa em relação à projeção anterior, que variava de 10,5 bilhões a 10,54 bilhões de dólares. A revisão para cima reforça a leitura de que a demanda por soluções de cibersegurança continua em alta, mesmo com custos de hardware pressionados.
A expansão do portfólio também ajuda a sustentar essa expectativa otimista. Antes mesmo da abertura do mercado no dia 17, a Palo Alto Networks anunciou a aquisição da Koi, empresa especializada em segurança de endpoints baseada em agentes. A compra vem na esteira de outras movimentações estratégicas, como as aquisições da Chronosphere e da CyberArk, e aponta para um reforço da estratégia de oferecer uma plataforma cada vez mais integrada de segurança, cobrindo desde observabilidade e monitoramento até proteção avançada de identidades e endpoints.
Para os clientes, essa combinação de aquisições e aumento de preços traz um dilema clássico: por um lado, a adoção de uma plataforma mais completa pode simplificar a gestão, reduzir integrações complexas e potencialmente diminuir custos operacionais; por outro, o investimento inicial em licenças, appliances e serviços pode subir de forma relevante com a nova tabela de preços. Organizações de todos os portes terão de colocar na balança não apenas o valor absoluto do reajuste, mas também o custo de não investir em segurança em um momento de crescimento de ataques e violações.
Um ponto que ganha ainda mais relevância nesse contexto é a postura em relação à proteção de dados em ambientes Cloud e SaaS. Muitas empresas ainda operam com a falsa sensação de que dados armazenados em serviços de nuvem ou aplicações SaaS estão automaticamente protegidos por backups do provedor. Na prática, a responsabilidade pela disponibilidade e recuperação de informações costuma ser compartilhada – e, em várias situações, recai majoritariamente sobre o cliente. Em um ambiente em que ataques se tornam mais sofisticados e o custo de ferramentas de segurança tende a subir, a falta de estratégia clara de backup e recuperação pode amplificar riscos e prejuízos.
Diante de um cenário de custos crescentes, é provável que muitas organizações brasileiras passem a reavaliar o mix entre soluções on-premises, cloud e SaaS. Algumas podem optar por migrar cargas de trabalho para modelos de assinatura em nuvem, buscando reduzir a dependência de hardware; outras preferirão manter ou até ampliar o uso de appliances físicos por questões regulatórias, de latência ou de controle. Em ambos os casos, o aumento de preços de um fornecedor relevante como a Palo Alto Networks funciona como gatilho para revisões mais amplas de arquitetura e estratégia de segurança.
Outra frente que tende a ganhar força é a negociação de contratos de longo prazo e renovação antecipada de licenças. Empresas que tenham previsibilidade de uso da plataforma podem tentar fechar acordos multi-ano antes da efetivação completa dos novos preços, ou buscar condições comerciais diferenciadas para mitigar parte do impacto. Também é provável que haja maior comparação entre ofertas de mercado, tanto em termos de custo quanto de modelo de licenciamento e inclusão de serviços de suporte, treinamento e resposta a incidentes.
Para CISOs e líderes de segurança, o momento exige uma comunicação clara com a alta direção. O reajuste da Palo Alto Networks não é um fenômeno isolado, mas reflexo de uma conjuntura global de escassez de componentes e aumento de complexidade na proteção de ambientes híbridos e multicloud. Justificar investimentos maiores em segurança passa por demonstrar, com dados e cenários concretos, o potencial de perda financeira e reputacional em caso de incidentes, bem como os ganhos de resiliência ao manter uma postura de defesa atualizada.
Na ponta final, usuários corporativos precisam se preparar para um 2026 em que o custo de proteger redes, dados e aplicações deve ser mais alto, mas também inevitável. O aumento de preços anunciado pela Palo Alto Networks é um sinal claro de que a cibersegurança continua sendo um mercado em crescimento, pressionado por ameaças cada vez mais frequentes e por custos de infraestrutura em ascensão. Antecipar-se a esse movimento, revisando contratos, projetos e prioridades, pode ser o diferencial entre uma transição planejada e um ajuste emergencial de última hora.
